Monday, January 14, 2008
Quero ser do espaço onde estás...
Há dias, amor, em que a tua ausência é o ar que respiro e em que evocar os pedaços de nós não é suficiente para serenar a vontade que tenho de ti.
Sunday, January 13, 2008
Sunday, January 6, 2008
Sunday, December 30, 2007
Thursday, December 20, 2007
Segredo e sagrado
Era verão. Muitas das minhas memórias mais calorosas têm como pano de fundo o verão. Sim, era verão. Um dos verões de sempre, daqueles em que sempre tocava urgente a sirene dos bombeiros e em que nos habituávamos a olhar as encostas de floresta encarceradas numa garra de fumo. Sim, era verão. Era o verão de regar a horta, de abrir e fechar regos na terra para que a água seguisse rumo às pequenas, mas ordeiras, plantações de feijão, tomate, alface, cenoura e couve. Era o verão das idas ao rio, dos passeios com os cães, das tardes passadas a ler, dos filmes de aventuras na televisão. O verão do arrecadar da lenha para o inverno, do juntar da caruma para a cama dos bichos, da preguiça e da liberdade. O verão antes da apanha da amêndoa, antes do restolho a abrir gretas nas mãos, antes do chapéu do avô na cabeça e da burra transformada em elegante cavalo ao serviço dos Mosqueteiros do Rei de França, rumando para o desconhecido da paisagem que se abria ante os meus olhos e pela qual sempre vivi fascinada. Era um desses verões de outrora, inquietados pelo barulho das moscas, suados no calor que não debandava e que só a noite acalmava. Um verão que já não era de infância mas em que o crescer ainda se adiava.
Não me lembro do ano. Há muita coisa de que não me lembro. Lembro-me da sensação que esta música me provocava e do quanto a repeti no rádio para desespero da minha mãe. Sabia-me a verão. A ela devia soar a dor de cabeça...
Era a melodia que me agradava. Acho que nunca prestei muita atenção à letra. Por isso me custou tanto, mais tarde, encontra-la. Na verdade não encontrei, mau grado o muito que dei voltas à memória para me lembrar de um pedaço de letra que fosse. Chegou-me no acaso de um cd que um amigo do Brasil me ofereceu para que eu conhecesse a música que existia para além das telenovelas. Sabendo que a tinha e que podia escuta-la quando quisesse, acabei por a remeter para o baú das coisas boas e naturalmente, não voltei a ouvi-la, apesar de a sensação desse verão recheado - assim me engana a memória - de coisas boas, amiúdo me tocasse, e toque, a pele como uma brisa do entardecer e eu julgue ainda ouvir a Doninha a suspirar à sombra.
Hoje lembrei-me dela. Precisava lembrar-me de coisas boas. E pela primeira vez prestei atenção à letra... Sim, acho que, na verdade, sempre estive à espera que alguma coisa me chegasse... mas nunca, confesso, com a precisão de um poema escrito - e não escutado - há muitos anos atrás.
Wednesday, December 12, 2007
Friday, December 7, 2007
Sunday, December 2, 2007
Na verdade é simples...
Thursday, November 22, 2007
Que deus, Deus, será este que não troca os pregos que corroem, com ferrugem, as entranhas do seu filho? Não ouve ele como grita e ensurdece? Que culpa é esta?
Se eu tivesse coragem erguia-me e olhava-o nos olhos e perguntava "Com que direito?" Mas o meu deus migalha sussura, "Perdoa".
E eu perdoo.
Monday, October 29, 2007
Fight and breathe
Não se agradece. Partilha-se. Assim o dizes. Assim o quero. Mas sem ti... tu sabes. Amo-te. Com todas as letras do alfabeto e todas as conjunções possíveis que inventamos. Assim... a perder de vista.









