São palavras antigas, quase de uma outra vida... mas hoje fazem um pouco de sentido. Um pouco apenas... mas talvez baste.
Querido Diário,
Ao oitavo dia Deus, deus, rasgou o esboço em mil pedacinhos por lhe parecer que o Homem era obra menor. Sobrei eu. O pedaço de papel em que ele definira, mal, o conceito de mim. Peguei na régua, no lápis, no papel e na cola e copiei-me com traços rudes. Dei-me vidas. E sombras. E fantasmas. E espalhei-me pelo mundo. E não fiquei à espera que o dia fosse dia e que a noite fosse noite e que houvesse descanso e castigo. Aniquilei tudo. Logo do principio. Para que não houvesse fim.
Querido Diário,
Que deus, Deus, será este que não troca os pregos que corroem, com ferrugem, as entranhas do seu filho? Não ouve ele como grita e ensurdece? Que culpa é esta?
Que deus, Deus, será este que não troca os pregos que corroem, com ferrugem, as entranhas do seu filho? Não ouve ele como grita e ensurdece? Que culpa é esta?
Querido Diário,
Se eu tivesse coragem erguia-me e olhava-o nos olhos e perguntava "Com que direito?" Mas o meu deus migalha sussura, "Perdoa".
Se eu tivesse coragem erguia-me e olhava-o nos olhos e perguntava "Com que direito?" Mas o meu deus migalha sussura, "Perdoa".
Querido Diário,
Querido Diário,
E eu perdoo.
E eu perdoo.



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