Wednesday, August 29, 2007
Home of the free?
-----» Fotografia de Nina BermanMonday, August 27, 2007
... summer dreams.
Havia qualquer coisa de eterno no cheiro da vegetação. Se fechasse os olhos acho mesmo que conseguiria ouvir o riso do meu irmão enquanto me gritava “atira-o!”. Ouviria, ainda, o barulho de algo a bater na água. E se o mundo fosse perfeito, ao abri-los de novo, veria nadar um deles em minha direcção. O olhar perdido de alegria e a vingança pronta no sacudir do pelo.






Sunday, August 26, 2007
Eu não acredito muito nisto... mas que las hay, las hay! :)

You are The Lovers
Motive, power, and action, arising from Inspiration and Impulse.
The Lovers represents intuition and inspiration. Very often a choice needs to be made.
Originally, this card was called just LOVE. And that's actually more apt than "Lovers." Love follows in this sequence of growth and maturity. And, coming after the Emperor, who is about control, it is a radical change in perspective. LOVE is a force that makes you choose and decide for reasons you often can't understand; it makes you surrender control to a higher power. And that is what this card is all about. Finding something or someone who is so much a part of yourself, so perfectly attuned to you and you to them, that you cannot, dare not resist. This card indicates that the you have or will come across a person, career, challenge or thing that you will fall in love with. You will know instinctively that you must have this, even if it means diverging from your chosen path. No matter the difficulties, without it you will never be complete.
What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.
Friday, August 24, 2007
Sim, quero-te...
Thursday, August 23, 2007
Home Movies
Eu&medicação 0 – Madrezita 1
Eu&proposta de banho vs Madrezita
Eu&proposta de banho 0 – Madrezita 1
Eu&banho à gato vs Madrezita
Eu&Banho à gato 1 – Madrezita 1
(Resumo do jogo: “anda cá!” – “tá quieta!”)
Eu&T-Shirt lavada para mudar vs Madrezita
Eu&T-Shirt lavada para mudar 1 – Madrezita 0
Eu&outra T-Shirt para trocar porque a primeira ficava muito grande vs Madrezita
Eu&Outra T-Shirt para trocar porque a primeira ficava muito grande 0 – Madrezita 1
Napoleão, na sua sabedoria, haveria de chamar os seus generais e dizer – mão no peito, chapéu orgulhoso na cabeça – “Hoje a T-Shirt, amanhã o mundo!”
Mas eu, tenho cá para comigo que… sinceramente!
Sunday, August 19, 2007
Meu bem querer
Há caminhos de saliva que ainda não empreendi mas sei que quero mais do que a clara vereda do que em ti é óbvio. Quero descobrir todos os teus lugares secretos, calcorrear-te até à exaustão e pousar, repousar, abandonar-me no porto seguro do meu sítio em ti.
E respirar estes versos que nunca sei de cor. Ficar-me pelo principio, que basta – sem nunca ser suficiente – para conjugar o verbo daquilo que és para mim.
Thursday, August 16, 2007
Wednesday, August 15, 2007
Junto ao mar...
Monday, August 13, 2007
Deixa-te...
Deixa-te ficar. Não interessa o tempo que nos passa célere pela vontade e por tudo o que, em mim, por ti, descubro e antes não sabia. Há muita coisa que eu não sei mas, a ti, sei. Não sei como mas sei-te. Prendeste-me nas entrelinhas e é aí, nessa pausa, que quero continuar a estar. No que de ti o mundo não entende. No que, em ti, o mundo não descobre.
Deixa-te ficar. Olha comigo a luz que cai sobre as coisas. Fica sem tempo nem pressa. Ao sabor dos dedos que se tocam, da pele que se descobre, do sorriso que nasce com um beijo atrás da orelha. Na força de um abraço que nos agarra mas não impede de cair. E eu quero cair.
Friday, August 10, 2007
Wednesday, August 8, 2007
Put your hands up in the air! Donkey is in the house!
E depois, não interessa em quantos links carregue… aquilo é giro e coisa e tal… mas… informações úteis… quédelas?
Ribeira
A primeira bebedeira que apanhei no Porto e a última que apanhei na vida – o ficar contente não conta – curei-a aqui. Era a primeira semana de aulas, a primeira festa do caloiro a que ia, estava completamente alone, os velhos amigos tinham ficado noutras paragens e os novos tardariam ainda um pouco a chegar.
A festa terminara tarde e a más horas. Perdera os meus guias para a paragem de autocarro e estava-me pouco a marimbar se chegava a casa ao meio-dia ou às oito da noite. Queria era sentar-me porque de pé já não me aguentava. Saí do bar e encostei ao primeiro umbral de porta que me apareceu pela frente. Ficava ali ao lado de onde me sentei hoje. Queria fechar os olhos só por um momento mas aterrei num sono pegado. Acordei com o sol a dar-me na tromba e levei com os olhares curiosos de quem já seguia caminho para o trabalho. Pus o meu ar mais composto – fosse lá isso o que fosse - e tentei passar por turista madrugadora que tinha ido prestar homenagem ao Rei Sol. Poix…
Um senhor que varria a rua, talvez trabalhasse para a Câmara, não sei; aproximou-se, curvou-se para me olhar e quando eu já estava pronta para o mandar à quinta pata do burro, disse-me delicadamente:
- Da próxima vez que precisar, estão ali os barcos – e apontou para os barquitos de pesca que descansavam sobre as pedras do cais. – É só levantar o pano e entrar lá para dentro. Ninguém se importa.
Olhei-o estupefacta e fiz a única coisa que me ocorreu fazer, porque ainda não estava com capacidade para me prestar a grandes explicações, de que “a malta é estudante, sabe como é, bebe-se demais e depois é isto e coisa e tal…”
Agradeci-lhe. Pura e simplesmente. “Obrigado”.
Não sei o que lhe terá passado pela cabeça. Continuo sem saber. Ou pensou que eu era sem-abrigo ou que tinha fugido de casa. Qualquer coisa assim, concerteza. Seja como for, nessa manhã, com esse gesto de desinteressada preocupação, o povo desta cidade conquistou-me. E a cidade, por causa dele, tornou-se casa.
Tuesday, August 7, 2007
?!
É como pontapear as paredes, esfolar os joelhos, deixar em carne viva os nós dos dedos, meter os olhos pelos olhos dos outros adentro e não conseguir, não alcançar, o que lhes fica para lá do espelho.
É como morder o ar, querer agarra-lo, girar, girar, girar, e ficar com nada nas mãos. É como querer agarrar todas as mãos e ser de todas as mãos, a nenhuma perder, não me perder de nenhuma. Não me perder e deixar de ter medo de me perder. Perder-me para me achar.
Depois há o que me engole por dentro e me cerra os lábios em recta comissura. E apetece-me morder. Há o que me recolhe as mãos num punho. E apetece-me arranhar. Rasgar.
Há o que me resvala as forças e me faz recuar para os degraus das escadas de pedra da cidade, onde me sento e torno invisível. Surda. Só. Mas por pouco tempo. Madame Duras arranja sempre forma de me encontrar. Aproxima-se com o habitual pigarreiro e senta-se a meu lado com o esforço a que o corpo já a obriga. Oferece-me um cigarro. Toca-me na mão enquanto mo acende. Arrasta a voz, pesada do tabaco e do álcool.
- Agora começas. Não acabes. – diz. Olho-a de lado com ganas de…
- Filha da… - sinto-me dizer, uma sentença que não termino porque ela me agarra o fio das palavras com um gesto aborrecido e as atira aos pombos. A última letra rompe-me o lábio. Doi-me. O sangue é quente. Doce. Provo-o. E a poeira assenta.
Debandam os pontos de exclamação como gaivotas enfurecidas. As interjeições rastejam de volta aos esgotos. Aniquila-se tudo o que é disfuncional no absurdo-poético da alma. A carne – crua, dura, imperfeita – sente-se, por fim, terra e caminho. Consistência. Ponto final. Um paragrafo inteiro.
Madame Duras abana os ombros ao ritmo de um riso que não consegue controlar. Sei que sou eu que lhe soo a anedota e porque não sou imune à piada, depressa me junto a ela na gargalhada que se solta. E como sabe bem.
Tanta vida e tão pouca. Para quê as perguntas se não me dou ao trabalho de procurar as respostas?
Monday, August 6, 2007
Do cheiro a terra molhada
Ontem, ao (des)arrumar umas gavetas aqui em casa encontrei esta foto. E lembrei-me. Hoje, tinha um mail que me falava do “cheiro a terra molhada”. Fez-me lembrar. Lembrar já não dói, quanto a isso tinham razão. Mas existe o tempo que não temos o dom de controlar, que torna tudo muito longe. Inalcançável.Esta foto consigo olhar. Gosto de olhar. Faz-me bem olhar. Há outras que não. Porque me lembram do tempo que não houve. Que não se fez tempo para haver. Mesmo que tenha sido tempo havido e vivido, com todo o tempo do mundo. E mais houvesse.
Este é o meu lugar preferido na Terra. No Universo inteiro. É onde eu sou como não sou em mais lado nenhum. Por inteiro. Sem tirar nem pôr. Completa. Talvez um dia fale dele. E deles. Dela. Talvez não. Se calhar não.
Mas hoje deito-me a lembrar do pó que as gotas de chuva – grossas, gordas – levantam, quando açoitam aqueles caminhos. E adormeço, pequena outra vez, embalada pelo cheiro a terra molhada.
Sunday, August 5, 2007
Não-Lugares
O passo não era assim. Não podia ser assim. Era assado. Repetiam. Tentavam. Não acertavam. Discordavam. Mostravam. Seguiam. Uma dança em silêncio ao som de uma música que partilhavam com a telepatia da cumplicidade. O corpo a seguir o corpo, a dar-se ao corpo, a ser do corpo. Seria?
Não era valsa. Não sei o que era. Era bonito. À volta, os ruídos da cidade, cacofonia de vidas cruzadas; mas neles o silêncio, a mão na mão, o rodopio, o compreender, o acertar do passo num último passo, um último gingar de ancas, sedução. Talvez não.
A loucura da meia idade aos olhos de quem quis ver. Ou sanidade. Talvez isso. Dançar, ensaiar a dança no meio de uma estação de metro. As senhoras da limpeza a não invadirem o espaço, circundando a pista. Improvisada. Sem glamour, luzes, brilhantina, mas palco. E eu plateia. O cigarro na mão. O olhar em ovação.
Saturday, August 4, 2007
trying to put the shit back together...

Preciso limpar o olhar. Arrancar-lhe a névoa que o torna imune à cor. Ensinar-lhe, do princípio, que se a sombra existe é porque, algures, uma fonte de luz a provoca. Não posso - não devo – deixar-me acreditar que o que acontece, acontece apenas por acontecer. Que não existe nem efeito nem causa; apenas uma sequência desordenada de imagens sem correspondência entre elas. Não posso. Não devo.
Preciso reorientar o caminhar. Evitar que se perca, à toa, pelas pedras da calçada sem prestar atenção ao que dança à sua volta. Preciso, desesperadamente, de resgatar o meu lugar no palco do quotidiano. Já não me basta passar por ele. Preciso de o existir. Preciso que me toque. Que me magoe. Que me dê à luz.
Preciso de respirar a essência do que ainda me faz sentido. Do que ainda me faz sentir. Do que ainda é [sou] em mim. Preciso aumentar o volume de todas as melodias do nada. PERMITIR QUE ME ENSURDEÇAM, QUE ME EXPONHAM AO LIMITE DE TODAS AS FORÇAS, QUE ME RETOMEM A INSATISFAÇÃO DE NÃO ESTAR EM TODOS OS LUGARES ONDE DEVIA ESTAR E NÃO ESTOU. e no cessar do barulho almejar compreender. compreender. compreender ao invés de aceitar.
Friday, August 3, 2007
Thursday, August 2, 2007
Vanessa da Mata vs Ben Harper
Arre Potter!
Dúvidas existenciais… Se em algum momento da minha vida as certezas me foram inabaláveis, foi aos 17!
Cresce de uma vez, Potter!
Wednesday, August 1, 2007
...
Um Dogma 95 vinha a calhar. Assim com a imagem imperfeita do vídeo, o controlo de brancos a desbotar para o azul e grão, muito grão, o foco sem referências a nausear o enquadramento. Imperfeito. Imperfeito. Real. Sem gramática a respeitar. Sem principio, nem fim, com muito meio. Muito meio. Todo o meio.
E filmar os meus pés que se arrastam da cama para o banho. Do banho para o frigorifico. Do frigorífico para a corda da roupa, onde procuro o que nunca está seco. De casa para a rua. Da rua para o autocarro. Do autocarro para o vazio. Filma-los enquanto as mãos ensaiam o acender do cigarro e os pulmões se enchem de raiva. Um travelling, depois, enquanto desço as escadas. Enquanto pairo sobre o último degrau. Enquanto vai e não vai o fugir. O salvar. Salvar. Salvar. Fugir. O impasse. Sempre o impasse. Essa coisa que se embrulha por dentro e morde as entranhas. Antinatural. Desproporcionado. Pairar sobre o último degrau. Pairar sobre a salvação. E desistir. No último instante. Sempre no último instante. Deixar poisar o pé. Dar mais um passo. Morrer por dentro.
Um Dogma 95, sim. Para poder partir a loiça e apregoar que é arte. Para que no rescaldo da destruição dos espaços - desses que me tocam, que cheiro, que ouço e não gosto, não gosto, não quero – possa esconder-me atrás de uma sombra e misturar-me com ela para nunca mais. Para o nunca mais de outras luzes e de outros significados.
Acabar o filme a negro. O burburinho em voz off. Depois uma voz que se distingue das outras.
- Onde foi?
E outras que lhe respondem.
- Estava aqui. Já não está.
Por fim o silêncio. Sem música, como convém às regras do que não tem regra.
Estava aqui. Já não está.
Na verdade nunca estive. Sou uma miragem.









